BRAIN 2017 – Avaliação cognitiva em pessoas de baixa escolaridade precisa ser ajustada para aprimorar diagnóstico de demência

fotos-06

BRAIN 2017 – Para especialista da USP/Unicamp, aplicar testes compatíveis com a escolaridade do paciente evita diagnósticos errados.

O nível de escolaridade deve ser considerado para se adotar métodos mais fidedignos de avaliação de demência. A opinião é da doutora em psicologia clínica Mônica Yassuda, que apresenta novas evidências científicas sobre o tema durante a 14ª edição do World Congress on Brain, Behavior and Emotions, de 14 a 17 de junho, em Porto Alegre.

Professora nos cursos de Gerontologia da USP e Unicamp, Yassuda revela que durante o processo de diagnóstico de demências são realizadas avaliações neuropsicológicas com objetivo de verificar se há alterações cognitivas viso-espaciais, memória, linguagens e funções executivas nos pacientes.

“O diagnóstico de demência é muito influenciado pela escolaridade, já que faz associação entre números e letras. O paciente investigado pode ter desempenho ruim nos resultados, não por manifestar distúrbio ou demência, mas pela baixa escolaridade, o que pode culminar em diagnóstico errado”, alerta.

Desta forma, os novos testes aplicados em sujeitos com baixa escolaridade, para avaliação neuropsicológica, ao invés de intercalar números e letras, optam por cores e figuras, por exemplo.

O doutorado da psicóloga Luciane Viola Ortega, orientado por Yassuda na Unicamp, compara as provas tradicionais de neuropsicologia com aquelas mais adaptadas a indivíduos de baixa escolaridade. “Com base nos resultados da comparação feita entre esses testes, a serem divulgados no Brain Congress 2017, saberemos se a adaptação permite melhor acurácia diagnóstica em sujeitos com esse perfil”, reforça Yassuda.

PAPEL DA FONOAUDIOLOGIA – Na mesma mesa de debate, a fonoaudióloga Letícia Mansur, professora da Faculdade de Medicina da USP, mostrará como a avaliação fonoaudiológica é importante na investigação das demências leves a severas.

Dados do estudo Cesar et al (2013) dimensionam a importância da reserva cognitiva proporcionada pela educação. A taxa de prevalência das demências (17.5%) tende a aumentar com o crescimento da população idosa e também entre os analfabetos (23%) e aqueles com 1-4 anos de educação (21.8%). Nos indivíduos com nove ou mais anos de educação, a prevalência é bem menos expressiva (5.4%).

Fala e linguagem são quesitos para se identificar a demência leve. Nesse estágio, há forte influência da escolaridade no desempenho dos indivíduos. Ao contrário dos quadros mais graves, como na manifestação tardia da demência na doença de Alzheimer. Nesses casos, a avaliação fonoaudiológica ajuda a monitorar a evolução do quadro clínico.

A comunicação é um aspecto central na avaliação fonoaudiológica, pois reflete a funcionalidade global do indivíduo. É avaliada por meio de questionários aos familiares e cuidadores ou por observação direta de diálogos e narração de histórias.

O discurso é base para uma avaliação “sob medida”, pois não sofre influência de fatores culturais que podem estar presentes em testes importados. Modernas análises computadorizadas fazer uma análise mais fiel do discurso, detectando precocemente alterações de linguagem em indivíduos com comprometimento cognitivo não demencial.

Mansur ressalta que além de contribuir para diagnóstico e acompanhamento dos casos, a avaliação fonoaudiológica pode ser o ponto de partida para o delineamento da reabilitação.

“Este estudo conseguiu detectar alta prevalência de demência porque usou testes específicos para a população brasileira, baseou o diagnóstico em avaliação abrangente e não em teste isolado e testou os participantes sob o ponto de vista funcional”, explica.

Referência bibliográfica

Karolina Gouveia Cesar et al. Prevalence of Cognitive Impairment without dementia and dementia, in Tremembé, Brazil. Alzheimer Dis Assoc Disord. 2016;30(3):264-71

Serviço

14th World Congress on Brain, Behavior and Emotions

De 14 a 17 de junho de 2017

Porto Alegre, FIERGS

Programação científica http://www.brain2017.com/programacao/index.php#topo

Blog para a imprensa

https://brainwcbbe.wordpress.com/

Assessoria de imprensa

Ponto C Comunicação Estratégica

Carlos Alessandro Silva – carlos.relgov@gmail.com / 11 98293-4224

Andrea Guardabassi – andrea.guardabassi@gmail.com

 

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

w

Connecting to %s

Create a free website or blog at WordPress.com.

Up ↑

%d bloggers like this: