Destaques da Programação Científica

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MIA COUTO – MOÇAMBIQUE

1 – NEUROCIÊNCIA AJUDANDO A REPENSAR O SER HUMANO

No dia 15 de junho (quinta-feira), o escritor e biólogo moçambicano António Emílio Leite Couto, o popular Mia Couto, vai proferir a conferência magna do Brain Congress: “A (neuro)ciência ajudando a repensar o ser humano”. Sobretudo por sua formação, a obra de Mia Couto é inspirada na linguagem não humana de animais, rios, árvores, pedras e astros que terminam por “humanizá-lo”. O próprio apelido é uma alusão aos gatos.

O que pode render boas histórias não é o fato científico em si, mas o ser humano por detrás do cientista, com suas crenças, ignorâncias e incertezas. Coisas e pessoas simples que podem estar à margem dos grandes feitos podem revelar facetas maravilhosas da nossa própria humanidade.

Ativista ecológico e dono de uma consultoria ambiental no expediente normal, Mia crê que é falsa a dicotomia entre progresso e conservação da natureza. Para ele, ante a complexidade lógica do universo, a ciência não deve perder um dos mais cativantes desafios do saber: ter dúvidas.

Segundo Mia, de 62 anos, a biologia nos ensina a todo momento a não ter medo de errar e a ter gosto por experimentar. “A natureza foi evoluindo graças ao erro básico que é a mutação. Se os genes nunca falhassem não haveria a diversidade necessária para a continuidade da vida”. Ele relembra que a descoberta da penicilina como antibiótico, por Alexander Fleming, nos anos 40, foi acidental e salvou milhões de seres humanos.

Antes de ingressar nas atividades científica e literária, “vizinhas e complementares que buscam ir além do horizonte”, Mia lutou pela libertação de seu país contra a colonização portuguesa, nos anos 70, atuando como jornalista na “frente de batalha”. Moçambique depois viveu uma guerra civil até 1992 que deixou mais de um milhão de civis mortos.

 

 

 

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KARL FRISTON – REINO UNIDO

2 – A PERCEPÇÃO DO TEMPO PELO CÉREBRO

Você sente o tempo passar? Estudos atuais sobre a forma como percebemos o tempo e ‘ajustamos nosso relógio biológico’ serão tema de uma mesa-redonda no Brain Congress 2017, preparatória à conferência do professor Karl Friston, da Universidade de Londres, sobre como o cérebro percebe a passagem do tempo.

Nossa vida é uma sequência de fatos e ‘micro-eventos’. Cada palavra de uma frase reflete o tempo que passou entre a palavra anterior e a próxima. E o cérebro precisa identificar isto para gerar a próxima palavra, o próximo ato, a próxima ideia!

O Brasil terá o privilégio de receber o Dr. Friston, pesquisador de tão alto calibre que busca entender os códigos cerebrais para que possamos perceber a passagem do tempo.

Essa linha de pesquisa ultrassofisticada aplica conceitos matemáticos e estatísticos à forma como o cérebro faz predições sobre o futuro. Neste sentido, ‘tempo’ refere-se à sequência ordenada das partes de qualquer evento. A percepção desta sequência é processada por discretas modificações na atividade elétrica dos neurônios em áreas-chaves da memória e conduz à percepção de ‘passagem’ do tempo.

Por exemplo, imagine o trajeto que uma pessoa faz todos os dias, indo de uma rua à outra, até chegar a um destino. A sequência de passos e locais por onde esta pessoa passa é registrada pelo cérebro, que compara com as informações já armazenadas sobre isto e prediz cada novo passo ou rua pela qual esta pessoa passará.

Dr. Friston foi agraciado com diversos prêmios respeitados por sua contribuição científica para o mapeamento do cérebro humano.

O tema “Relação do cérebro com o tempo” também será debatido por especialistas brasileiros, como o doutor em bioquímica e pesquisador da PUCRS Pedro Lima e o neurologista e professor da PUCRS André Palmini, que falarão respectivamente sobre como entender nosso relógio interno (cronobiologia) e como o cérebro lida com as multitarefas.

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ANDREW LEES – REINO UNIDO

 

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ANTONY LANG – CANADÁ

3 – O INTESTINO É NOSSO SEGUNDO CÉREBRO? – RELAÇÃO ENTRE A DOENÇA DE PARKINSON E SISTEMA NORVOSO ENTÉRICO

No dia 16 de junho (sexta), uma mesa-redonda debaterá a contribuição científica nos últimos 200 anos para o tratamento do Parkinson. Desde quando o Dr. James Parkinson descreveu clinicamente a doença pela primeira vez, supondo que se manifestava inicialmente na medula espinhal (pescoço).

Os estudos seguintes focaram na hipótese de que os tremores e distúrbios motores característicos surgiam em decorrência da falha na produção do neurotransmissor dopamina, na região cerebral conhecida como substância negra.

As recentes pesquisas apontam o sistema nervoso entérico como primeiro estágio da doença, que começaria a progredir a partir de sintomas não-motores como perda de olfato, depressão, delírio, prisão de ventre, fraqueza, disfunção urinária e distúrbio do sono. Suspeita-se que no intestino haja mais neurônios e neuro-hormônios que no cérebro. O segundo estágio da doença aconteceria então em outras regiões cerebrais e o terceiro, na substância negra.

As proteínas alfa-sinucleínas (a-syn), presentes tanto no cérebro como no intestino, seriam as grandes vilãs e podem ser um biomarcador eficaz para predizer o risco da doença. Quando acumuladas e degradadas, por fatores genéticos e ambientais, elas atuam como infectantes e induzem os sintomas de Parkinson.

O tema será discutido pelos neurologistas Helio Teive (UFPR); Andrew Lees (Universidades de Londres e Liverpool), cientista com maior número de publicações sobre Parkinson; Francisco Cardoso (UFMG) e Anthony Lang (Universidade de Toronto)

Os especialistas falarão no Brain Congress sobre terapias promissoras e ainda em fase experimental (em animais), cujo objetivo é eliminar as infectantes proteínas a-syn:

– Nanopartículas

– Substâncias inibidoras (fármacos)

– Micróglia (célula de sustentação das proteínas que podem neutralizar a ação da a-syn)

– Lisossomas (organelas celulares que metabolizam as proteínas)

– Anticorpoos monoclonais (biológicos para imunizar o organismo)

 

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MARSEL MESULAM – EUA

4 – DEGENERAÇÕES CEREBRAIS QUE LEVAM AO ALZHEIMER E OUTRAS DOENÇAS

O neurologista Marsel Mesulam, da Northwestern University, em Chicago, vem falar sobre as mudanças cerebrais decorrentes das degenerações, que contribuem para afasias progressivas (perda da fala) e demências graves como Alzheimer.

Dr. Mesulam foi pioneiro na descrição e caracterização das afasias progressivas primárias como formas de demências neurodegenerativas que acometem preferencialmente as redes de conexões da linguagem humana.

Outro marco de sua contribuição à Neurologia Cognitiva foi a publicação de Principles of Behavioral and Cognitive Neurology (1985, 2000), um verdadeiro divisor de águas na compreensão das redes de conexões neurais relacionadas com o comportamento social, memória, linguagem e atenção. Sua pesquisa atualmente é focada na imagem funcional das redes neurocognitivas e na fisiopatologia das demências.

 

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BRUCE HOPE – EUA

5 – POR QUE TANTAS PESSOAS, SOBRETUDO AS JOVENS, SE VICIAM EM DROGAS E OUTROS COMPORTAMENTOS?

Pesquisador do Instituto Nacional para o Abuso de Drogas dos Estados Unidos, o psiquiatra Bruce Hope discutirá seus novos estudos para entender a química do cérebro e as alterações que levam a diferentes vícios (maconha, cocaína, álcool, cigarro, metanfetamina etc.).

Professor das universidades de Yale (EUA) e British Columbia (Canadá), Bruce Hope é um pesquisador básico que faz muitos estudos experimentais (com ratos) e cruza dados com hipóteses em seres humanos. Dr. Hope dirá o que os vícios têm em comum, se existe uma relação significativa entre eles e a herança genética, ou seja, se existe algo que alivie um pouco a culpa em alguns seres humanos. O tema será debatido também por especialistas brasileiros como o psiquiatra Jair Mari, professor da universidades Unifesp e King’s College (Londres) e pesquisador do tema “saúde mental e violência”.

Em outros momentos da programação, Dr. Hope debaterá com os especialistas brasileiros como entender na prática clínica as influências positivas e negativas de jogos eletrônicos (Pokemon Go), brincadeiras como Baleia Azul, programas televisivos (13 Reasons Why) e da tecnologia digital no desenvolvimento cerebral, nas relações interpessoais e nos comportamentos. Também participarão dessa mesa-redonda:

– Daniel Spritzer (BRA), psiquiatra da infância e adolescência, mestre em psiquiatria pela UFRGS.

– Christian Kristensen (BRA), doutor em psicologia pela UFRGS e professor da PUCRS.

– Christian Kieling (BRA), psiquiatra, professor da UFRGS e coordenador do grupo de pesquisa em depressão na adolescência no Hospital.

 

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CARMITA ABDO – BRASIL

A psiquiatra e sexóloga Carmita Abdo fará a palestra “Romance moderno – As novas formas de namorar”, baseada no livro homônimo do ator-comediante Aziz Anzari, em parceria com o sociólogo Eric Klinemberg. A publicação é resultado de uma pesquisa que os dois fizeram nos EUA e em outros quatro países para avaliar a influência dos apps de relacionamento na vida amorosa de homens e mulheres de todas as idades. O imediatismo dessa tecnologia encontrou resposta nas vontades das pessoas.

 

6 – NOVA VISÃO SOBRE O TRATAMENTO DAS EPILEPSIAS: MANOJETO DO PACIENTE NO DIA-A-DIA E PREVENÇÃO DE COMPLICAÇÕES GRAVES COMO A MORTE SÚBITA

Existe sempre a expectativa de que surjam novos medicamentos para tratar doenças crônicas. Entretanto, mais importante do que o surgimento de novos medicamentos é a capacidade de especialistas discutirem as formas mais produtivas de lidar com os medicamentos que já existem. Tirar o máximo proveito do que existe é bem mais importante do que ficar se lamentando pela falta de novas alternativas. Neste sentido, especialistas nacionais em epilepsia, a exemplo da Dra. Kette Valente (USP), dedicarão um dia no Brain Congress 2017 para debater o manejo passo-a-passo de pacientes reais, buscando controlar da melhor forma suas crises e prevenir complicações graves.

 

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ANTOINE BECHARA – EUA

7 – CÉREBRO, INCLINAÇÕES POLÍTICAS E CORRUPÇÃO

O Brain Congress 2017 vai debater por que muitas pessoas em postos-chaves são corruptas e quais as motivações de nossas escolhas políticas. Os neurocientistas Antoine Bechara (EUA) e Vitor Haase (BRA) vão iluminar o tenebroso universo da corrupção e das escolhas políticas.

Especialista mundial sobre como o cérebro toma decisões, o professor Bechara vai mostrar que uma parcela da população faz opções de maneira muito semelhante ao jeito que psicopatas agem, mostrando que existem ‘brechas’ no funcionamento cerebral que facilitam atos de corrupção.

Esta sensacional palestra abre caminho para outra conferência, do professor Vitor Haase, renomado neuropsicólogo brasileiro, sobre as estruturas e circuitos cerebrais que podem ajudar a explicar escolhas politico-partidárias.

Antoine Bechara é professor de Psicologia e Neurociência na Universidade da Califórnia do Sul e desenvolve pesquisas em neuropsicologia das tomadas de decisões, neuroeconomia e vícios. Vitor Geraldi Haase é professor titular do Departamento de Psicologia e coordenador do Laboratório de Neuropsicologia do Desenvolvimento da UFMG, além de bolsista de produtividade do CNPq ID. O tema será debatido também pelo bioquímico brasileiro Pedro Lima (PUCRS).

 

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ADRIAN RAINE – REINO UNIDO

8 – NUTRIÇÃO E VIOLÊNCIA: ALIMENTAR BEM O CÉREBRO PROTEGE CONTRA ATOS VIOLENTOS

O psiquiatra Adrian Raine, professor da Universidade da Pensilvânia (EUA), autor do livro “A Anatomia da Violência” (2013), é uma autoridade mundial em criminologia e comportamentos agressivos. Ele vem ao Brasil falar de seus estudos sobre como uma alimentação saudável leva a cérebros saudáveis, com redução das taxas de agressividade e atos violentos. Seus estudos mostram que estratégias simples, como a forma de alimentar as crianças, podem ter um enorme impacto na redução de comportamentos agressivos de jovens e adultos.

Serviço

14th World Congress on Brain, Behavior and Emotions

De 14 a 17 de junho de 2017

Porto Alegre, FIERGS

Programação científica

http://www.brain2017.com/programacao/index.php#topo

Blog para a imprensa

https://brainwcbbe.wordpress.com/

 

Assessoria de imprensa

Ponto C Comunicação Estratégica

Carlos Alessandro Silva – carlos.relgov@gmail.com / 11 98293-4224

Andrea Guardabassi – andrea.guardabassi@gmail.com / 11 98989-0359

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